O obituário desta senhora de 82 anos é tão cruel que deixou o filho dela sem palavras

Poucos meses depois da morte de Cornelia June Rogers Miller, apareceu um obituário referindo-se a ela em um jornal da Carolina do Norte. Embora isso por si só não fosse nada fora do comum, esta homenagem especial à falecida acabou causando um alvoroço por sua ríspida honestidade. Tal nota de falecimento não só anunciou a morte desta mulher de 82 anos, como também aborreceu seriamente o filho dela.

No entanto, se os principais fatos da vida de Miller forem levados em consideração, você pode não notar o que ela aparentemente fez para justificar um tratamento tão terrível assim. June – como Miller preferia ser chamada – nasceu em 1934 na cidade de Morton, no Mississippi, ainda que mais tarde tenha se estabelecido em Gainesville, na Flórida. Depois disso, com seu marido, Robert, e seu filho, Robert Jr., ela mudou-se para High Springs, na Flórida, sendo esta a cidade em que June viveu o resto de seus dias.

Além do marido e do filho, June também possuía duas filhas: Suzanne Amos e Marilyn Miller. Por meio desses três filhos, ela ganhou um total de nove netos e seis bisnetos – todos nascidos enquanto essa senhora ainda estava viva. Quando ela faleceu, outros dois bisnetos já estavam a caminho.

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Embora June tenha escolhido a Flórida como seu lar, parece que ela e o marido amavam a Carolina do Norte há muito tempo. Tanto que o casal tinha uma casa de verão na cidade de Murphy, nas montanhas Blue Ridge, e visitavam o local sempre que podiam.

Em 2017, Robert Jr. disse ao News Channel 9: “Depois que meu pai se aposentou, [ele e minha mãe] iam para Murphy quase sempre que queriam. No inverno, eles passavam o fim de semana por lá”. Porém, quando June e Robert venderam seu amado retiro em 2016, esses tempos chegaram ao fim.

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Àquela altura, a viagem de seis horas e meia entre High Springs e Murphy estava se revelando árdua demais para June e Robert. A saúde deles, ao que parecia, não estava tão boa quanto era antes. O casal, então, mudou-se para uma casa de repouso para idosos em que dividiram um quarto.

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Contudo, em fevereiro de 2017, eles se separaram para sempre devido à morte de June. Ela deixou para trás sua enorme família e também o marido, o qual era quatro anos mais velho. Ao explicar a causa da morte de sua mãe, Robert Jr. contou ao News Channel 9: “Ela tinha 82 anos, então teve uma variedade de complicações”.

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Apesar de não sabermos exatamente como a família Miller levou a vida após a morte de June, um obituário verdadeiramente insensível, publicado no jornal Scout Cherokee, com certeza não deve ter ajudado aqueles que ainda sofriam pela perda da matriarca. Aliás, esse é um dos jornais locais da Carolina do Norte, localizado em Murphy.

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Para esclarecer, um obituário é um registro, que declara a morte de um indivíduo, nos meios de comunicação. Muitas vezes, apresenta alguns detalhes sobre os principais aspectos da vida do sujeito – os membros da família deixados para trás ou um resumo de suas maiores realizações. De modo geral, um obituário também fornece os detalhes do funeral realizado em nome do falecido.

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Inclusive, um obituário, em muitos casos, é escrito por alguém o qual era próximo da pessoa falecida. Assim, a nota de falecimento é normalmente publicada por um jornal local, na intenção de informar a comunidade acerca da morte do indivíduo em questão. De maneira frequente, tal homenagem tem o objetivo de contar aos outros um pouco sobre a vida do falecido, detalhando o que era importante para eles.

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Uma vez que um obituário pode servir como um eterno discurso escrito, a família pode considerar muito importante exteriorizar as características de seu ente querido nessa homenagem. Em tal registro, os parentes também podem expressar sua tristeza pela morte ou agradecer pelo tempo que passaram juntos com o falecido.

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Por conta do conteúdo sincero, os obituários costumam ser emocionantes. Um bom obituário pode até mesmo dar aos leitores uma visão sobre a vida do indivíduo e uma ideia de seu caráter – mesmo se o autor da nota não houvesse sido próximo do falecido.

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Assim, um obituário tende a se concentrar nos aspectos positivos da vida de uma pessoa – às vezes, chegando a fazer uma extraordinária síntese de seu tempo aqui na Terra. Com isso em mente, o obituário de June foi um grande destaque ao aparecer no jornal Cherokee Scout. Isso não ocorreu pelo tributo ser extremamente gentil. Na verdade, foi bem o contrário.

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Após esta hostil nota chegar à imprensa, o filho de June ficou muito chateado. Durante sua conversa com o News Channel 9, Robert Jr. expressou seu desconforto com o obituário, dizendo: “A coisa toda é simplesmente triste”. Porém, embora não se saiba publicamente quem foi o responsável pela terrível homenagem, Robert Jr. acredita que o obituário tenha vindo de alguém próximo de sua mãe – provavelmente Suzanne ou Marilyn.

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Portanto, o filho de June disse ao News Channel 9: “É inadmissível que minhas irmãs tenham escrito isso. É muito triste que não tenham nada melhor para fazer”. Contudo, o mistério em torno do obituário só foi aprofundado quando uma das irmãs de Robert Jr. negou a acusação de serem responsáveis pela publicação.

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O obituário em questão inicia-se de forma usual, citando o nome completo de June e seu aniversário, bem como sua cidade natal. Tal nota também indica que o falecimento ocorreu em 23 de fevereiro de 2017. Ainda que a data esteja correta, ela sugere algo bastante incomum: June havia morrido quatro meses antes desse obituário ser publicado no Scout Cherokee.

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Após a introdução aparentemente inofensiva, a nota de falecimento de June continuou relatando sobre as circunstâncias que cercaram sua morte e também declarando que ela havia morrido “depois de uma longa batalha contra a depressão e o vício em drogas”. Depois disso, havia algumas informações sobre os lugares onde June tinha morado, mencionando Murphy – local este onde a falecida havia “passado os verões”, de acordo com o obituário.

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Em seguida, alguns detalhes sobre a família de June foram destacados, citando seus três filhos – Robert Jr., Suzanne e Marilyn. Na próxima linha constava: “Cada um teve três filhos, mais brilhantes e mais encantadores do que a geração anterior. Todos os nove são um testemunho de uma vida bem vivida”.

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No entanto, à medida que a leitura no obituário avançava, as coisas tomavam um rumo horrível. Apesar da nota reconhecer que June formou uma família, houve a insinuação de que ela não havia encontrado alegria nisso. Um trecho brutal é: “Estamos gratos pelas vidas geradas por June. Gostaríamos que ela pudesse ter apreciado dessa abundância recebida”.

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O tom áspero do obituário só pareceu aumentar a partir daí. Consta no registro a afirmação de que June “não trouxe nenhuma contribuição à sociedade e raramente compartilhou uma palavra ou ação gentil em sua existência”. O tributo também alegava que “as drogas eram um grande amor em sua vida, já que June não tinha hobbies”.

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Além do mais, o escritor do obituário anunciou que a vida de June deve servir como um exemplo para os outros sobre como não se comportar. Apontando para a personalidade e para os hábitos da matriarca, o registro prosseguiu: “O vício e o ódio não são essenciais para os vivos”. O agressivo resumo dos 82 anos de vida de June não parou por aí.

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Assim, o obituário declarou que o falecimento de June teve pouco efeito sobre seus entes queridos. Um trecho relata: “Falamos pela maioria de sua família quando dizemos que sua presença não fará falta para muitos, pouquíssimas lágrimas serão derramadas e não haverá lamentação por sua morte”.

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Embora o retrato de June seja negativo na nota, o autor admitiu que a falecida seria lembrada de vez em quando, relatando: “A família de June se lembrará dela. Entre nós, vamos nos lembrar dela à nossa própria maneira, o que [inclui] sobretudo momentos tristes e preocupantes ao longo dos anos”.

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A amarga homenagem teve continuidade: “Podemos ter boas lembranças dela e até chegar a pensar nessa época também. Mas acreditamos que, no final do dia, todos nós realmente sentiremos falta do que nunca tivemos: uma mãe, avó e bisavó. Esperamos que ela finalmente esteja em paz”.

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Ao final, comunica que a morte de June pode ter um efeito positivo em sua família. De maneira cortante, diz: “Quanto ao resto de nós que ficamos para trás, esperamos que este seja o início de um tempo de cura e de aprendizado para sermos uma família novamente”. Contudo, o tributo recomendou que os parentes da matriarca não se reunissem após sua morte.

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O obituário terminou ao afirmar: “Não haverá missas, orações ou encerramentos para a família que [June] passou a vida inteira destruindo. Não podemos nos unir, no final das contas, para que seus netos e bisnetos possam se despedir. Seu legado está escrito. Então, dizemos aqui para todos: ‘Adeus, mamãe’”.

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De forma nada surpreendente, depois que isso foi publicado no Cherokee Scout, o conteúdo dividiu opiniões entre os leitores. Inclusive, a repórter do News 13, Stephanie Santostasi, compartilhou uma imagem do obituário de June no Twitter, perguntando a opinião de seus seguidores. As reações a essas palavras desdenhosas foram, na verdade, mais variadas do que você poderia imaginar.

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De fato, muitas pessoas ficaram horrorizadas com a aspereza do obituário de June, o que levou um usuário do Twitter a comentar: “Mesmo que seja verdade, é errado, rude [e] simplesmente maldoso. Inacreditável. Descanse em paz, June”. Um indivíduo simplesmente escreveu em resposta: “Que triste”.

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Outros sujeitos, porém, pareceram ter empatia pela pessoa por trás do cruel obituário. Um tweetou, por exemplo: “Não os conheço, não a conheço, não sei o que aconteceu na vida deles, mas imagino que foi muito libertador para alguém”. Outro escreveu: “Posso pensar em algumas pessoas assim. Às vezes, as pessoas não farão falta. Às vezes, está tudo bem assim”.

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Devido à atenção que o obituário de June recebeu, David Brown, o editor do jornal, posteriormente optou por defender a decisão do Cherokee Scout de imprimir o tributo. Embora Brown não tenha revelado quem realmente escreveu a hostil nota, ele admitiu que “a família havia recusado a edição” ao tratar da publicação do artigo controverso.

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Além disso, Brown admitiu que, apesar dos funcionários do Cherokee Scout ler cada obituário antes de publicar, eles só editariam algo se achassem absolutamente necessário. Enquanto isso, em uma tentativa de reparar qualquer dano causado por essa nota de falecimento, Robert Jr. declarou que estava enviando uma nova homenagem a sua mãe.

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Robert Jr. desejava urgentemente que June fosse lembrada como uma pessoa gentil e afetuosa. Ele também não queria que todos os momentos especiais que sua mãe e seu pai haviam vivido em Murphy fossem manchados pelo terrível obituário. Com certeza, o filho de June esperava que seu novo tributo servisse para consertar as coisas.

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Quando parecia que o tormento da família Miller havia acabado, foi aí, na verdade, que a trama se complicou. Afinal, constatou-se que o áspero tributo à matriarca aparentemente foi copiado, em parte, de um obituário de 2008 de um jornal do norte da Califórnia.

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Depois que Robert Jr. soube que a nota de falecimento de sua mãe havia sido retirada de outro lugar, ele teve ainda mais certeza de que era uma de suas irmãs a responsável por isso. O filho de June relatou ao Channel 9 News: “Inacreditável. [Ela] nem mesmo é capaz de escrever algo por si mesma. [Ela] simplesmente sai e rouba alguma coisa… Quando li pela primeira vez, tive mesmo uma estranha suspeita de que não soava como ela”.

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O obituário original, o qual foi publicado no jornal Times-Herald da cidade de Vallejo, anunciava o falecimento de Dolores Aguilar. Quando o registro passou pela mesa do editor Ted Vollmer, com certeza isso chamou a atenção dele. Em 2017, Vollmer disse ao News Channel 9: “Eu tinha editado provavelmente milhares de obituários até aquele ponto e tinha escrito muitos eu mesmo… Ao notar este, minhas sobrancelhas já se arquearam”.

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Inclusive, os obituários de Dolores e June são muito semelhantes. A maior parte do conteúdo é lida exatamente da mesma forma; palavra por palavra, na verdade. Logo, parecia que os trechos da nota de June haviam simplesmente sido tirados do tributo anterior e usados nesse mais recente. Contudo, a questão de quem faria tal coisa ainda permanece.

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Vollmer permitiu que o obituário de Dolores fosse publicado, mas não sem antes exigir evidências as quais confirmassem que realmente tinha vindo de sua família. O editor disse ao News Channel 9: “Pedi [aos parentes] uma cópia da certidão de óbito ou alguma prova de quem [Dolores] era”. Parece que uma das seis filhas de Dolores foi capaz de autenticar essa nota de falecimento.

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Se o terrível obituário de June passou por um processo de autenticação parecido no jornal Cherokee Scout, não se sabe. Porém, quando a equipe soube que o tributo havia sido plagiado, eles consideraram removê-lo do site do jornal. Após os funcionários ponderarem à respeito, a decisão final foi tomada: a polêmico nota seria – e de fato foi – retirada.

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Aliás, além daquelas palavras idênticas, havia outras semelhanças entre os obituários de June e Dolores. O amargo relato da vida de Dolores também causou grande comoção após a publicação e, assim como havia sido o caso com o registro de June, um dos parentes de Dolores também sentiu que a nota de falecimento foi muita severa. Vollmer, portanto, deixou que a neta da falecida publicasse um novo obituário – um que revelasse como a visão dela sobre a avó era bem diferente daquela retratada anteriormente.

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O Cherokee Scout fez uma oferta similar ao Robert Jr., o qual teve seu próprio tributo à mãe publicado gratuitamente. O News Channel 9 revelou que, em seu novo obituário, June foi descrita como “uma dedicada esposa de militar e dona de casa” que “fazia um bolo de limão incrível”. Felizmente, algum conforto foi dado ao filho de June por apresentar seu lado da história.

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